Eu já não me importo com você.
Passei por alguns estágios nisso tudo; tristeza, no começo, depois um pouco de frustração por não ter dado certo. Mas depois, e agora, principalmente, raiva. Raiva porque eu sempre me orgulhei de pensar que, podendo voltar atrás na vida, eu me recusaria. Que tudo que eu vivi teve algum motivo, mas eu começo a pensar que eu cometi um enorme erro, um erro de quase dois anos, alguma coisa que eu não posso nem apagar.
Mas então, quem sabe? Talvez não seja bem raiva. Mais do que o súbito desprezo; mais do que as inúmeras pessoas que por causa de um comportamento mesquinho tiveram que escolher um lado numa guerra que eu nem sabia que estava participando; mais do que qualquer coisa, o que me incomoda é saber que por tanto tempo estive com alguém capaz de tanta pequenez. De se intrometer no presente estando completamente no passado, tentar adivinhar planos e intenções sem conseguir enxergar um palmo à sua frente.
Fico ressentido de não ter visto nada disso, de só agora, com tanta gente me dizendo como mudei pra melhor, entender por que eu andava tão irritado e deprimido. É contagioso. É a pressão de estar com alguém que meses depois vêm me dizer “Puxa, ainda bem que você terminou, ela olhava na minha cara e nem cumprimentava”, alguém com um sistema de valores tão diferente que parece de outro planeta.
Eu não vou me rebaixar. Estou aqui, publicamente, deixando claro que isso pra mim passou. Não quero guardar ressentimentos – e eu acredito, sim, que passei pelo que tinha que passar, seja como for -, mas não vou aguentar calado tanta miudeza de espírito. Não quero mais te ver; isso, pra mim, já se foi pra nunca mais voltar.