Meu ideal é a multiplicidade de destinos. Sou apaixonado pelas possibilidades, pelos ifs e maybes, pelas rotas alternativas que entregam o castelo mouro nas mãos erradas e transferem para outros leitos os rios da História. Quero mil existências simultâneas, ser errado e certo e completo, porque à minha frente se abrem milhares de possibilidades e eu acho muito chato ter de escolher só uma, pelo simples fato de ser a melhor ou mais fácil ou mais certa ou tudo isso junto.
E então a estória é a seguinte:
Artur na encruzilhada, meio da noite, meio do nada. Sem espada nem reino, sem cavalo nem princesa, Artur sabe instintivamente qual o caminho a seguir, por qual caminho o espera a Morte, a velha companheira dos solitários, por onde está seu Amor, por onde está a Glória. Artur sabe, como se sabe sempre; os mistérios do mundo são ocultos só dos que não conhecem o medo, ou que conhecem demais.
O problema nunca é saber por que escolher um caminho ou outro, e sempre saber por que não seguir os outros. O certo, o egoísta, o altruísta, o possível, o imaginado, são todas as rotas que podemos tomar e das quais quase sempre podemos sair e mudar e nos reinventar, sem ter nunca inventado nada de concreto. As decisões, escolhas inimagináveis ou imaginadas demais, resultados abstratos, medos concretos.
Os anjos, as gotas de chuva, os loucos.
Sebastião em seu navio a alcançar a costa; o grito desesperado das portas da Morte, o pouso forçado nas montanhas de Marte, a celebração cantada do Exército Invencível, o Apocalipse na rebeldia do Espaço.
Imagens que ecoam no vácuo sem esperanças; a loucura que incendeia as florestas da Noite, num crescendo de melancolia e sangue, o absurdo de catorze legiões irrefreáveis, a monotonia, funcionários públicos de um Império Galáctico, monstros no meio do mar, estórias sopradas no ar.
Seis mil Destinos, apenas um fado, fardo absurdo da escolha definitiva.