Insônia

São duas e meia da manhã. Eu não estou só acordado, estou completamente desperto.

Insônia é uma estranha pra mim. De vez em quando, ela estende seus dedos frios e doentios, mas é raro. Eu não conheço a sensação de dormir mal e pouco e intermitentemente durante dias. O nervoso de sentir sono, sentir até cansaço, e no momento de deitar, do repouso, acordar completamente.

Não tenho ferramentas pra lutar contra insônia, então escrevo. Escrevo pra cansar, escrevo porque acho que não sonhar é uma tentativa de me mostrar que tenho algo pra falar, algo que não sei expressar nessa rotina imbecil de dormir e acordar e não fazer nada. É o sentimento de impotência dos últimos dias, de não ter controle do seu próprio destino, de não estar preparado para o desafio da vida cotidiana, que eu não tenho dúvida que é o maior de todos.

Odeio insônia. Tem gente que usa a insônia e tem nela seus maiores surtos criativos, gente que vira a noite explorando as delícias do seu subconsciente explosivo e irrequieto, Kerouac aditivado de benzendrina (segundo o próprio, café, porque não tem nada melhor, e claro que ele está completamente certo e que eu concordo 100% com ele), mas essas pessoas tem insônia crônica. Eu não tenho insônia nunca, pra mim é um sintoma de energia acumulada demais, não faço nada e tenho surtos assim mesmo dormindo não pouco, mas não demais, e o caso é que eu não tenho onde DESCARREGAR essa energia a não ser na torrente de palavras que invadem minha mente doentia, porque afinal de contas eu sou uma pessoa diurna, e quando estou assim pilhado é como se eu não fosse eu e fosse caótico Cáon demais

Rotina

É tudo como um sonho. Como se eu flutuasse por entre o concreto sujo dessa cidade, à parte do mundo, devendo sempre, nunca quite com minha própria solidez, minha presença mundana indelével.

Sou um desenho vivo, alguém nas entranhas doentes de uma opressão, parte de um jogo viciado, e as montanhas de arranha-céus que se desenham na paisagem são um lembrete constante da minha própria natureza falha.

Ou como Heloísa, que entrou no banco, roubou uma arma e não levou dinheiro nenhum. Heloísa, como um filme, atravessando desarmada a porta giratória e encarando aquelas pessoas imersas no Drama e querendo de alguma forma o que? Se vingar? Libertá-las? Fazer um protesto? Heloísa e o guarda distraído, e nesse momento, apesar de ela estar mais insana que nunca, seu cabelo está arrumado e ela parece mais normal do que eu jamais a vi, provando de uma vez por todas que as aparências não enganam, elas propositadamente nos confundem. Heloísa pega o guarda completamente de surpresa, atira nele com sua própria arma, pega a munição extra do seu cinto, e nesse momento todos os rostos da agência se voltam pra ela, não sei exatamente quantos estão ali mas ela mata um por um, começando pelos outros guardas, claro, exterminando os clientes sem um único pingo de consciência e avançando para os caixas, que não estão de forma alguma preparados pra esse tipo de loucura, a loucura dos que vivem sem ninguém, dos que não tem meta nem nada, e suplicam que ela leve tudo, todo seu dinheiro, e é nesse momento, porque afinal era isso que ela estava esperando, que ela dá uma gargalhada lunática e instintivamente eles sabem, eles conhecem esse tipo de absurdo agora, mesmo sem terem encontrado antes, dentro de seus corpos eles percebem que não existe como negociar, ela os matará sem piedade e é isso que ela faz, sorrindo, e sai da agência, e não foi pega, essa é a verdade.

Ironicamente, quando mais tarde a polícia a levou, foi por uma coisa completamente diferente, embora com a mesma arma que ela havia levado do segurança assassinado, quando três horas e trinta e sete minutos depois do massacre do banco ela entrou no meu apartamento pela janela, que nessa época eu morava no primeiro andar, me contou minuciosamente o que tinha feito e deu a mesmíssima gargalhada que amedrontara os funcionários do banco três horas e cinquenta e dois minutos antes, mas percebi com mais rapidez do que os bancários que ela estava insana, já que, diferente deles, eu conhecia e muito bem essa loucura, e reagia rápido mas não o bastante, e ela atirou na minha perna antes que eu pudesse tirar a arma dela, e quando o fiz e consegui segurá-la e a polícia apareceu quase instantaneamente, para levá-la e trancá-la pra sempre, ela me deu um último sorriso, invocando uma doçura que nunca existiu entre nós, e foi a última vez que eu a vi.

 

(um pedaço de Cáon)

Frames

Não é impressionante abrirmos um álbum – ou, hoje em dia, pastas do computador, substitutos impessoais e menos satisfatórios -, acharmos uma foto antiga e descobrirmos um pequeno instante de felicidade enquadrado? Mesmo que nossas memórias não nos tenham abandonado completamente, e no fundo saibamos que naqueles tempos tínhamos preocupações e desafios da mesma forma que temos agora, o sabor que fica é sempre nostálgico, de um tempo bom que já passou…

O importante, eu aprendi, é não deixar que essa nostalgia impeça o registro fotográfico de outros momentos felizes.

Do outro lado da rua

Ele bateu a porta com força e ela fez “BLAM!”; ele já tinha feito isso muitas vezes, mas nunca em inglês. Suas mãos estavam vermelhas e trêmulas, sua respiração errática. Seu nervosismo era quase sólido.

Do outro lado da rua, o Vigia adivinhava um drama, e sua imaginação o desenhava com todas suas cores. Ele, do lado de dentro, consciente de estar sendo objeto e não sujeito, lutava contra sua fraqueza humana, e na raiva da descoberta procedia a quebrar metade da sua sala. O Vigia, do lado de fora, via com os olhos da mente os sons da televisão explodindo na parede, do rádio desligado dando um último acorde, dos urros irracionais de um humano enjaulado em uma cela de vidro.

Ele parou por puro cansaço, depois de ter avançado na destruição sistemática de uma televisão, um rádio, duas cadeiras, o tampo de vidro da mesa, um aquário vazio e um velho e desfigurado boneco do He-Man. O despejo de sua fúria dava tempo pra pensar. As respostas nem sempre são melhores que a ignorância, ele pensou, e saber que temos um propósito não é nada confortante quando o propósito é esse.

Mas então ele pensou, voltando ao seu estado normal de homem e não de fera, se o mundo é isso, então por que alguém me contaria? E o Vigia via, do outro lado da rua, as perguntas do silêncio, com sua expressão inalterável, sua passividade aparente; e adivinhava o eco da quietude, ainda que mais cedo do que o esperado, que significava o reconhecimento. E ele, lá dentro, enquanto ainda segurava o relógio na mão direita levantada, concluiu que isso era um teste de reação, como tinham concluído os outros dezessete; o propósito era apenas saber como ele reagiria com esse tipo de conhecimento, um elaborado labirinto com um queijo no fim.

E o Vigia se preparou para terminar o experimento, anotando em seu computador o tempo de reação consideravelmente menor. Sua languidez disfarçava seus ágeis movimentos enquanto ele dava longos e demorados passos, e do outro lado da porta ele continuava pensando, enquanto abaixava o relógio e se sentava na única cadeira intacta da sala. E se ele estivesse louco..?

Então o Vigia sumiu, e ele nunca mais pensou a respeito.

Carta pra alguém que já passou

Eu já não me importo com você.

Passei por alguns estágios nisso tudo; tristeza, no começo, depois um pouco de frustração por não ter dado certo. Mas depois, e agora, principalmente, raiva. Raiva porque eu sempre me orgulhei de pensar que, podendo voltar atrás na vida, eu me recusaria. Que tudo que eu vivi teve algum motivo, mas eu começo a pensar que eu cometi um enorme erro, um erro de quase dois anos, alguma coisa que eu não posso nem apagar.

Mas então, quem sabe? Talvez não seja bem raiva. Mais do que o súbito desprezo; mais do que as inúmeras pessoas que por causa de um comportamento mesquinho tiveram que escolher um lado numa guerra que eu nem sabia que estava participando; mais do que qualquer coisa, o que me incomoda é saber que por tanto tempo estive com alguém capaz de tanta pequenez. De se intrometer no presente estando completamente no passado, tentar adivinhar planos e intenções sem conseguir enxergar um palmo à sua frente.

Fico ressentido de não ter visto nada disso, de só agora, com tanta gente me dizendo como mudei pra melhor, entender por que eu andava tão irritado e deprimido. É contagioso. É a pressão de estar com alguém que meses depois vêm me dizer “Puxa, ainda bem que você terminou, ela olhava na minha cara e nem cumprimentava”, alguém com um sistema de valores tão diferente que parece de outro planeta.

Eu não vou me rebaixar. Estou aqui, publicamente, deixando claro que isso pra mim passou. Não quero guardar ressentimentos – e eu acredito, sim, que passei pelo que tinha que passar, seja como for -, mas não vou aguentar calado tanta miudeza de espírito. Não quero mais te ver; isso, pra mim, já se foi pra nunca mais voltar.

Viagem pelas terras nevadas

Ricardo morreu no meio de tudo.

Homens não são como os personagens de estórias, que morrem na hora certa e podem não mudar nada. Humanos morrem no meio, deixando coisas por acabar, conversas por se ter, amores por começar. A morte mexe com os homens que sobrevivem, independente de quem seja.

Ricardo deixou livros com marca-páginas, assuntos não terminados. Um apartamento repleto de lembranças que desapareceram como letras em um papel molhado, ou permanecem, mas alteradas pela saudade dos que se consolam abraçados. Discos que ele não vai mais ouvir, filmes que ele nunca vai rever, estórias que ninguém mais lhe contará. Uma pessoa que se vai não deixa nada pra trás, exceto sua ausência.

Os amigos mais imaginativos reconstroem a cena, o súbito de uma decisão secreta; quem dirá quanto refletida? Nenhuma discussão, nunca, ou um pedido de ajuda – mas com que direito, também, poderia qualquer um de nós exigir isso? O que há de mais íntimo que a escolha da morte?

Então a decisão final. Passos lentos? Firmes? O apoiar dos pés na sacada: o último momento. Dúvida? Pressa? E afinal ele se lança para o nada. Euforia? Arrependimento? Ninguém saberá jamais. Nada mais resta, nem marca, nem som, nem nada.

Resta uma lembrança com gosto de anis, restam perguntas irrespondíveis feitas a um ser cujo nome se apaga no granito frágil do esquecimento. Resta um vazio, a ausência sem explicação.

Seis mil destinos

Meu ideal é a multiplicidade de destinos. Sou apaixonado pelas possibilidades, pelos ifs e maybes, pelas rotas alternativas que entregam o castelo mouro nas mãos erradas e transferem para outros leitos os rios da História. Quero mil existências simultâneas, ser errado e certo e completo, porque à minha frente se abrem milhares de possibilidades e eu acho muito chato ter de escolher só uma, pelo simples fato de ser a melhor ou mais fácil ou mais certa ou tudo isso junto.

E então a estória é a seguinte:

Artur na encruzilhada, meio da noite, meio do nada. Sem espada nem reino, sem cavalo nem princesa, Artur sabe instintivamente qual o caminho a seguir, por qual caminho o espera a Morte, a velha companheira dos solitários, por onde está seu Amor, por onde está a Glória. Artur sabe, como se sabe sempre; os mistérios do mundo são ocultos só dos que não conhecem o medo, ou que conhecem demais.

O problema nunca é saber por que escolher um caminho ou outro, e sempre saber por que não seguir os outros. O certo, o egoísta, o altruísta, o possível, o imaginado, são todas as rotas que podemos tomar e das quais quase sempre podemos sair e mudar e nos reinventar, sem ter nunca inventado nada de concreto. As decisões, escolhas inimagináveis ou imaginadas demais, resultados abstratos, medos concretos.

Os anjos, as gotas de chuva, os loucos.

Sebastião em seu navio a alcançar a costa; o grito desesperado das portas da Morte, o pouso forçado nas montanhas de Marte, a celebração cantada do Exército Invencível, o Apocalipse na rebeldia do Espaço.

Imagens que ecoam no vácuo sem esperanças; a loucura que incendeia as florestas da Noite, num crescendo de melancolia e sangue, o absurdo de catorze legiões irrefreáveis, a monotonia, funcionários públicos de um Império Galáctico, monstros no meio do mar, estórias sopradas no ar.

Seis mil Destinos, apenas um fado, fardo absurdo da escolha definitiva.

São Paulo capital

Meu amor pela minha cidade é trágico, byroniano. Eu sou apaixonado pela cidade do Caos, pela metrópole da Desigualdade, dama translúcida dos relâmpagos de informações supérfluas. Seu rosto vampírico-fantasmagórico me persegue em sonhos acordados, me revolta em devaneios retóricos. São Paulo é a união de mil povos e essa pluralidade de culturas e espectros confunde um paulistano como eu, preso na liberdade da falta de uma identidade clara.

O Rio de Janeiro já foi um símbolo do Brasil: a cultura da malandragem associada a um povo inteiro – exagerada, claro; o samba de raiz, o futebol-arte, as praias belíssimas, o verde, o riso, a pele queimada de sol, uma mistura única de África, América e Europa que, na verdade, é a melhor explicação de “brasilidade”. A capital política do Império tornado República se embrenhou no meio do mato, no Planalto Central, mas por muitos anos ainda a cultura brasileira se baseou no Rio, e a imagem internacional – e, pra que mentir, a imagem nacional, também – sempre foi daquela festa eterna da cultura litorânea do Rio de Janeiro.

Ainda assim… Nos interiores, o Brasil se transforma. A maior economia da América do Sul ainda gira no núcleo sudeste do país, e o centro só pode ser São Paulo. O ritmo frenético, o largo passo paulistano, a carga de ser a cidade-irmã da insone metrópole do Norte impuseram à cidade de São Paulo o rótulo de túmulo do samba, terra de engravatados e indústrias de funcionários-robôs; sua mistura de gentes, gostos e culturas parecem lhe furtar de uma identidade, mas é ao contrário: sua mistura é sua própria identidade, e São Paulo funciona como síntese de um país gigante, vibrante, modernizante, cheio de problemas mas tentando seguir em frente.

Quem vive em São Paulo conhece os problemas sem fim de uma cidade crescendo rápido demais, de engarrafamentos, de inundações, de tumulto, de lotação, de poluição, mas São Paulo é muito mais que isso, mesmo quando se olha com realismo e não idealismo. Estar apaixonado não me impede de reconhecer seus defeitos, só me faz lembrar o que existe para além, nas noites sem sombra em que não existe fim para a peregrinação em bares e ruas e encantos e medos, na emoção do hino nacional às seis da manhã numa Marginal Tietê onde o sol só ameaça nascer, na sexta-feira que termina no domingo, nos cantos desconhecidos que nem os ônibus alcançam, nas voltas do metrô da meia-noite que bate duas vezes, na cultura de orquestras sinfônicas misturadas com as batidas do hip-hop, os ritmos importados, os pratos importados, os carros importados, uma melodia desenfreada e indomável, que ressoa por túneis superfaturados e em becos dos anos 20. E além, e além, sua mistura irreproduzível de sotaques, línguas, gostos, a cultura da (i)migração; São Paulo, a cidade que é tão misturada que sua dedicatória musical mais famosa foi feita por um baiano.

São Paulo: eu te canto na minha prosa rude, no português trabalhado mas torto no ritmo, que é o som que fazem tuas vias avenidas, o som do subúrbio alcançando o centro a 90 por hora e freando bruscamente, a ignorância letrada e a cultura cara, a imagem de um Brasil preso entre o ser moderno e não ser, entre alcançar o seu destino não escrito e se acomodar na complacência de quem já conquistou muito e tem medo de perder ao buscar mais. São Paulo, capital, capitã de um navio que decola, rumo a mares nunca de antes navegados. São Paulo que me encanta, São Paulo que me enfurece, São Paulo, enfim.

Beira-mar

E então ele a abraçou por trás ternamente, e eles ficaram olhando o sol que se punha detrás dos montes banhados pela água mais transparente de todas, em que as espumas se desfaziam em um ritmo suave e harmônico, e ela pôs sua cabeça no ombro dele e fechou os olhos, embebida pela atmosfera quase tangível da paisagem multisensorial.

Com carinho e gentileza infinitos, então, ele a beijou levemente no rosto, como um momento de êxtase na música daquele paraíso particular aberto para a imensidão do mar liberto, do desvendado e do oculto que ele descobria nos olhos mais negros e repletos de sentimento do mundo, em um instante em que seus corações acalmaram o ritmo e sintonizaram, e eles sentiam seus corpos sem vergonhas ou ansiedades, acolhido um no outro, enquanto suas mãos desenhavam a imagem suave de entrelaço e encantamento, no entardecer de outono em cujo céu eles estendiam seus sonhos.

E naquele momento, pra sempre, estava escrita uma sensação de doçura e de amor, de dois viajantes apaixonados que se encontram em cada porto.

Cansei

Um dos nossos mitos favoritos é que o mundo exige demais de nós, e que precisamos de um movimento contrário para não sermos engolidos pelo egoísmo da colossal máquina da sociedade.

Isso é uma enorme mentira.

O mundo tenta tirar nosso individualismo, mas a maioria das pessoas reage do mesmo jeito. Nossa civilização ocidental é a eterna busca por uma expressão única, um modo de ser nosso, que nos diferencie dos outros humanos; tem gente que acha que isso é exatamente o que nos diferencia dos outros animais, e que o individualismo é a forma mais alta de ser humano.

Mas eu cansei. Cansei de ser diferente, de pensar diferente, de ser tão individual. Porque – ironia das ironias -, quando se faz um esforço tão grande pra se ser único, acabamos nos tornando todos muito parecidos. E ser parecido não é ruim, não é mesmo. Acho que um pouco de uma opinião assim é consequência da seguinte lógica: no princípio éramos animais extremamente sociais. Seres humanos só sobreviveram na coletividade, e com o tempo criamos ferramentas que nos permitem separar dos outros, viver, se quisermos, eremitas no meio da cidade grande. Mas não é óbvio que, se uma coisa surgiu depois da outra, ela tem que ser melhor; pode até ser em geral, mas não é sempre. E nossa dicotomia social-individual está errada, porque não precisamos escolher. Não precisamos viver a vida numa eterna disputa de “o que a sociedade (ou a família, ou o que seja) espera de mim” e “o que eu quero fazer na minha vida”. Fundamentalmente, não precisamos abrir mão de quem achamos que somos para correspondermos a quem acham que somos, mas o inverso também vale, e foi esse meu satori, ou minha epifania: eu não preciso abrir mão do que eu acho que sou para deixar de corresponder ao que os outros acham de mim.

Essa é uma armadilha da tentativa de se individualizar e ser alheio às pressões da sociedade moderna (que existem, claro), adotando a postura de anti-outro, ao invés de se entender como se é. Ser anti-rótulos também é um rótulo.

E é por isso que agora eu vou tentar fazer esse esforço positivo, ao invés da resistência mais ou menos velada. Porque eu aprendi como funcionar em sociedade, e sempre mantive vontades e pensamentos de quem não funciona da mesma forma; entender o que se pensa de verdade e distinguir da vontade de pensar diferente deve querer dizer alguma coisa. Espero que queira dizer que eu estou amadurecendo.

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